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Críticas

Crítica | Alex Strangelove

Quando clichês são necessários.

Foto: Divulgação/Netflix

Depois de certa idade, drama adolescente é só… drama adolescente. Mas crescer e amadurecer não são atestados de imunidade contra os baques da vida. Talvez a gente aprenda a lidar melhor com eles, mas nunca existiu fórmula mágica que vem como brinde da idade. Alex Strangelove (2018), filme original da Netflix, não economiza nos clichês – mas o recorte do coming of age de um adolescente relutante contra a própria homossexualidade, justifica os lugares-comuns. Vamos falar disso aqui. Simbora.

Quando se trata de sexualidade, o adolescente age por instinto. Sem conhecer na prática os meandros do desejo (ui…) a turma tende a ceder às vontades que se manifestam ao sabor dos contextos. Não é por acaso que o filme, escrito e dirigido por Craig Johnson, começa fazendo uma analogia entre o reino animal (puro instinto) e a escola de ensino médio onde os protagonistas Alex (Daniel Doheny) e Claire (Madeline Weinstein) estudam.

Só pra você entender o quiproquó: Alex e Claire se tornam amigos e começam a namorar. Mas depois de meses juntos, não transaram ainda. Claire acha estranho, Alex também – mas não entende. Daí ele conhece o Elliot (Antonio Marziale). E aí você já sabe pra onde isso vai. Bom, essa fase de descoberta, arranjada nesses termos, é até meio boba e inevitavelmente clichê. Mas o grande lance do roteiro de Johnson é compreender que, nessa fase, tudo é superlativo e ali o “drama adolescente” é o único possível.

Note como, por exemplo, o drama de Claire (que se sente rejeitada e talvez não boa o bastante para Alex) jamais é pormenorizado. Essa retranca rende, inclusive, uma das cenas mais emocionais do filme, com os conselhos da mãe e uma referência bem colocada do clássico Gatinhas e Gatões (1984).

Até a figura do melhor-amigo-alívio-cômico, personagem de Daniel Zolghadri, é desenhado com certo grau de complexidade ao expor uma percepção equivocada sobre orientação sexual. E como o sujeito é um amor de pessoa, a única coisa que pode explicar seu posicionamento é pura e simplesmente a falta de conhecimento. Daí a importância de um filme como esse, clichês inclusos.

Mas voltando a Alex. Ainda é um sacrifício pra muita gente compreender que a orientação sexual não é uma escolha. Falas como “Como você soube que é hetero?” ou a cena das caixas de cereal (“gay, hetero ou bi?”) mostram que muitas vezes a autoaversão ou o desejo de pertencer à “normalidade” é o que leva adolescente a se privarem em seus armários. A forma sensível com que o roteiro busca esses temas é fundamental pra que os clichês se encaixem de forma orgânica no texto. E faz o filme crescer em relevância para uma geração bem melhor servida de representatividade no entretenimento de massa. Boa, Alex Strangelove.

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