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Artigo Otaku | Os otaku na Copa e o verdadeiro hino do fair play

Em tempo! Sim, não poderia deixar de falar desse viral que vem dominando as redes sociais dos otaku desde a tarde do último domingo (24). O pós-jogo de Japão 2 x 2 Senegal não poderia ser mais perfeito. As duas seleções terminaram a rodada empatadas com 4 pontos e liderando o Grupo H. O Japão só se saiu melhor no critério disciplina por ter cartões amarelos a menos que sua rival, o que não é novidade.

A Colômbia botou pimenta na trama ao vencer a Polônia por 3 a 0 e levar a decisão dos classificados para a última rodada. Enfim, esse não é um caderno de esportes!

Como ia dizendo, o pós-jogo dessa partida reservou-nos uma cena que reflete a magia da felicidade, da harmonia e do tão falado congraçamento do povos evocado por narradores e repórteres da emissora que faz a cobertura oficial do evento para o Brasil. A cena que me refiro é essa:

 

 

Despretensioso (ou não, já que nos dias de sociedade em rede esse é um termo a ser discutido) o torcedor senegalês – anônimo até aqui – e alguns torcedores japoneses – tão anônimos quanto o outro – se divertem felizes com o bom resultado de um jogo de futebol bem disputado entre escolas não muito tradicionais no maior evento da modalidade desportiva.

O vídeo seria normal se não fosse pela canção que rege o entrosamento entre homens de nações tão distintas e heterogêneas em diversas situações (quer seja étnica, econômica, cultural etc.). Felizes – e muito provavelmente bêbados também (risos) – eles cantam We Are!, o primeiro tema de abertura do animê One Piece, da Toei Animation.

Baseado no mangá homônimo de Eiichiro Oda, a animação é uma das mais longevas da atualidade estando desde 1999 no ar pela Fuji TV aos domingos. de lá para cá são quase 20 anos e não me arriscaria dizer que ambos já acompanham One Piece por severa data. Cantando os versos finais da canção interpretada por Hiroshi Kitadani nos deparamos com o apogeu da relação de do “bom selvagem” à visão rousseauniana presente em Do Contrato Social, obra de 1762 que tinha como premissa a máxima de que “o homem é bom, mas a sociedade que o corrompe”.

E mais uma vez é o otaku – aquele que Étienne Barral diz ser capaz de “dar as chaves que permitem compreender em que sociedade vivemos” – o elemento social que rompe a barreira do convencional e se dilui nas brechas das culturas e dos povos para nos relembrar que somos ainda capazes de conviver em paz um com os outros. Numa letra que nos diz para “reunir todos os nossos sonhos”, “procurar nossos desejos” e que te faz um convite “Você quer ser meu amigo?” encontramos de fato e de direito o hino do verdadeiro fair play.

Não esse falso e melindroso fair play pregado como uma prece pelo mass media. Não esse fair play ignorante que nos fazem assistir atos tão imundos e vergonhosos de abusos e ignorâncias onde “homens de bem” não respeitam mulheres no seu livre direito de ser mulher. Escrotos ambulantes cheios do mais horrível sebo: o desamor!

Mais que um desabafo essa é a forma que eu (e creio que falo em nome da equipe VOLTS também) encontro para lhes relembrar qual é o objetivo simbólico da Copa do Mundo, que por trás dos conchavos econômicos e políticos que a mantém, ainda carrega consigo um propósito: mostrar que nossas diferenças existem e só devem ser contrárias em campo, no momento de definir o vencedor. Com lealdade, respeito e dignidade mesmo que o placar esteja distante de um 0x0 é muito provável que todos são satisfeitos, felizes.

Para além disso cada um reflita por si. Contudo de já adianto: o melhor mesmo a se fazer é escolher seu tema de animê favorito e sair pelas ruas cantando, cantarolando ou mesmo tentado, como fez o senegalês em seu pouco domínio da língua asiática dos companheiros de farra.

Até a próxima e… Sayonara!

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