Connect with us

Filmes

Por que ‘Wonder Woman 1984’?

Investigamos as referências no nome do segundo filme da Mulher Maravilha

Wonder Woman é o ponto fora da curva no Universo DC no cinema, isto é um fato. Ao contrário dos outros, não decepcionou a grande maioria dos fãs, e quem não gostou é passível de buscar ajuda médica. Patty Jenkins e Geoff Johns, a dupla que deu vida ao primeiro solo da mais importante heroína dos quadrinhos, espelha a dupla Diana Price e Steve Trevor, pode-se dizer.

É o filme mais consistente do DCEU em termos de roteiro, atuações, motivações e intertexto (as tais referências). Ao contrário dos outros títulos, Wonder Woman teve como base a Europa e bebeu de fatos históricos para encorpar a história. Ela já nasceu assim e Patty Jenkins soube explorar muito bem.

Os heróis da DC, como um todo, tem uma maior participação em eventos reais, a sua existência no mundo real é mais explorada que em outros grupos, mas no cinema é a Amazona quem carrega essa bandeira.

Agora, para o segundo filme, mais uma vez a Mulher Maravilha vem com o caráter extra, com a liberdade do termo: não é Returns, não é Wonder Woman 2, mas Wonder Woman 1984, e este ano não está ai apenas pela estética, ou pelo ar retrô muito em voga na TV, mas pela importância histórica que a data traz.

No mundo real:

E impossível não pensar no romance de George Orwell “1984”, um dos pilares da distopia, outro tema extremamente presente hoje em dia, mas que na verdade nunca tirou férias. Uma sociedade controlada por uma figura ditatorial que usa de tecnologia para instalar uma super vigilância sobre os indivíduos e dominar até mesmo os pensamentos e a noção de realidade.

A logo do filme, usada como capa no Twitter de Patty Jenkins Geoff Johns, não deixa sutil a referência à tecnologia, à televisão (teletela), pixels de imagens.

É também o auge na Guerra Fria, outro momento indispensável na hora de fazer um filme da Mulher Maravilha nos anos 1980. Conflito econômico e ideológico resultado direto das forças que saíram da Segunda Guerra que, por sua vez, pode ser considerada resultado direto da Primeira Guerra, usada como ruptura para que Diana vire a Mulher Maravilha no primeiro filme.

Todo um Mundo Novo

O primeiro computador da Apple foi lançado em 22 de janeiro 1984, em plena Guerra Fria. Assim como no sonho de Orwell, o ano viu na vida real uma explosão tecnológica. No comercial de lançamento, a companhia da maçã usa um comercial inspirado no livro de Orwell. Mais que isso, um mundo em apuros é salvo por uma mulher, mais precisamente a atleta britânica Anya Major. O comercial foi dirigido por Ridley Scott, o mesmo diretor de Blade Runner. Um círculo perfeito.

Wonder Woman poderá não apenas lidar com a Guerra Fria no novo filme, mas ao que tudo indica com um mundo que está mudando rapidamente, à olhos nus e em frente à televisão, como referenciado na imagem liberada hoje por Gal Gadot de sua personagem em frente à várias telas de TV exibindo vídeos referentes à cultura pop da época.

Para as mulheres, foi um ano de desbravar mundos novos: Beverly Burns se torna a primeira mulher capitã de um Boeing 747 em 1984; foi também o ano em que uma mulher caminhou no Espaço pela primeira vez, a cosmonauta russa  Svetlana Savitskaya; não contentes (alerta de ironia), no mesmo ano uma mulher andou no Espaço pela segunda vez, agora a americana Kathryn D. Sullivan. É preciso lembrar que a Mulher Maravilha voa em um avisão invisível nos quadrinhos.

No primeiro filme foi possível acompanhar a paixão de Diana pela humanidade, pelo trágico mundo dos homens, mesmo que seja o mesmo mundo levou morte à sua Ilha Paraíso. Ela se compadece das pessoas no vilarejo assolado com uma arma química despejada por oficiais alemães e salva as pessoas em uma outra localidade, no meio da zona de guerra, a No Man’s Land, Terra de Ninguém.

1984 é o ano em que o Sistema de Saúde Americano e o Governo dos Estados Unidos reconhecem pela primeira vez a epidemia de AIDS, causada pelo vírus HIV. Uma doença que infelizmente serviu para estigmatizar a Comunidade LGBTQ+. Wonder Woman é uma das personagens de quadrinhos que mais se comunica com a comunidade gay em geral e mais precisamente com mulheres gays.

Melhores dias da DC

Uma outra referência clara à imagem de Diana na frente das TVs é a imagem de Ozymandias, vilão e membros dos Watchmen, no filme homônimo dirigido por Zack Snyner em 2009. Na trama, heróis mascarados combatem o crime saindo na porrada com bandidos comuns em plena Guerra Fria, até que um dos seus, O Comediante, é morto, e a investigação leva à uma conspiração interna encabeçada pelo bilionário com síndrome de faraó, Ozymandias.

Nos quadrinhos

No ano seguinte, 1985, a DC dá início ao arco Crise nas Infinitas Terras, quando alguns personagens grandes foram reimaginados em outra realidade, entre eles, Mulher Maravilha e Steve Trevor.

O que leva de volta ao legado de Orwell, já que um dos vilões da DC é Brother Eye, claramente inspirado no Big Brother de 1984, mas apesar de estar mais ligado ao Batman ele se torna com o tempo um dos maiores inimigos das Amazonas.

Um dos feitos de Brother Eye foi transmitir ao vivo para o mundo todo a Mulher Maravilha executando o vilão Maxwell Lord durante a Crise Infinita, após este ter controlado Superman mentalmente para atacar a ela e ao Batman.

Pedro Pascal, por exemplo, ator de Game of Thrones, já confirmado no Wonder Woman 1984 poderia interpretar Maxwell Lord, ou mesmo um outro vilão ligado à Guerra Fria, Deimos, filho de Ares (o vilão que Diana enfrenta no primeiro filme). Deimos usou magia de Atlântida para desenvolver seus poderes e uma de suas atividades é fomentar a tensão entre os US e a Rússia durante a Guerra Fria.

Wonder Woman 1984 chega aos cinemas apenas em novembro de 2019, então há muito que ser especulado ainda.

Vilões

As primeiras imagens de Kristen Wiig e Pedro Pascal foram divulgadas com um intervalo de um mês pela diretora no Twitter. Mesmo com a diferença, apenas Wiig como Barbara Minerva/Cheetah. O personagem de Pascal segue um mistério, ainda que sua foto dentro de uma TV possa indicar ligação direta do vilão com a mídia.

 

Com informações de thebody.com, GraceRandolph, DC Comics, Warner, Guia do Estudante

 

Em alta agora