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Crítica

Crítica | Uma Musume: Pretty Derby (2018)

Animê com corrida de garotas-cavalo surpreende pela qualidade narrativa.

Foto: Divulgação

O não-otaku pode achar estranho um título que associe garotas-cavalo em animês, mas essa é basicamente a essência de Uma Musume: Prettty Derby. O mundo moderno – de forma misteriosa – conta com uma subespécie humana onde garotas nascem com características equinas (orelhas e rabos), além da habilidade nata de correr desses animais. Indo mais além a trama se propõe a acompanhar a vida dessas garotas em seu principal objetivo de vida: ser uma corredora profissional da Twinkle Series, o  maior evento de turfe do Japão.

Dessa forma a cada episódio somos apresentados a uma corrida onde dezoito garotas (17 + a protagonista da corrida) se enfileiram nas baias à espera do tiro de largada. Seria bizarro se isso fosse real. Para amenizar essa situação estranha a vencedora tem o direito de cantar em um show como uma idol pop e isso pode lhe render contratos de patrocínios e fama.

Após 12/13 episódios prometidos pela P.A. Works, o estúdio responsável, Uma Musume: Pretty Derby termina com um saldo extremamente positivo. Das maiores preocupações que um animê do gênero apresenta, a sexualização do elenco (99% feminino) era dos atenuantes mais temidos pelo público. Afinal, não é muito incomum colocar garotas em posições e situações extremamente ridículas apenas pelo fanservice. Ainda mais quando elas são teriantrópos do subgrupo das furries (pesquise para entender!).

Uma Musume: Pretty Derby, no entanto, não se deixa levar por essa perspectiva. O animê é limpo, sem fanservice de conotação sexual e sem mensagens subliminares (à exceção do fato de elas serem garotas-cavalo!). Na verdade se trata de uma história de amizade. Special Week, a protagonista, e Silence Suzuka, sua melhor amiga, são exemplos de uma ligação entre meninas. Cumplicidade e harmonia são importantes para uma relação de amizade, principalmente entre mulheres envolvidas num meio competitivo como o do esporte (sim, elas devem ser consideradas como atletas!).

Isso se expande para as coadjuvantes e figurantes da trama. Todas são competitivas e atletas dedicadas e isso nos leva a momentos de pura emoção e tensão. Somos presos numa ansiedade sobre quem vencerá o páreo, sobre como acabará a corrida e tememos as malditas lesões (o que deixa tudo mais tenso ainda!). O fato de elas serem garotas-cavalo nunca deixará de ser bizarro – e passível de críticas negativas por parte de algumas pessoas -, mas talvez esse seja o elemento menos importante do animê que batiza suas personagens com nome de cavalos reais dos circuitos de corrida nipônicos.

Há uma dinamismo simples, mas efetivo que se baseia na Jornada do Herói da jovem e ingênua Spe-chan (apelido de Special Week), que sai do interior deixando sua mãe adotiva e vai em busca de realizar o sonho de ser a melhor garota-cavalo do Japão, se deparando com desafios dos mais diversos que vão do despreparo diante da derrota e o medo de não ser competente até a ascensão à vitória almejada.

O animê ainda terá um episódio final com momentos como de um epílogo onde o destino de cada uma das jovens corredoras que acompanhamos durante toda a primavera japonesa é revelado. Tudo, no entanto, não passa de uma parcela maior. A animação é apenas parte de um media-mix bem bolado que conta com mangá spin-off, uma garota-cavalo youtuber e um mobile game (que por sinal é o elemento chave da franquia) revelando o poder da Cygames como uma promissora desenvolvedora de jogos para Android e iOS, que não apela para o ecchi (erotismo) e sabe como ninguém juntar duas paixões dos japoneses: as idols e as corridas de cavalo.

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