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Animês e Mangás

Artigo Otaku | As sprites antigas reveladas e os novos jogos de Pokémon

Dois cenários diferentes mostram incoerências no fandom de Pokémon.

Nos dias que se passaram a fanbase mundial de Pokémon ficou em polvorosa devido a uma revelação inusitada. Quase 20 anos depois, os games Pokémon Gold e Pokémon Silver, títulos-chave da 2ª Geração de games da franquia Pokémon (Nintendo/Game Freak) tem suas versões betas divulgadas em público com um caldeirão de novidades que foram descartadas no produto final.

Com destaque para as sprites de pokémons conhecidos por nós, além de sprites de pokémons inéditos que nunca ganharam vida dentro da franquia, o beta game revela um pouco do processo criativo ao qual são submetidos os jogos dos monstros de bolso e quão diferente são as ideias originais daquilo que vai para o mercado.

Lançados no mercado em 1999, Pokémon Gold e Pokémon Silver são projetos da Game Freak desde 1997, quando foram apresentados oficialmente em uma feira de games: a Space World. À época ninguém deu muita bola – talvez porque a internet ainda estava engatinhando -, mas o certo é que a diferença entre as sprites apresentadas e as disponibilizadas no jogo vão muito além de um processo mercadológico e mostra o quanto a Nintendo e suas subsidiárias são preocupadas com conceitos como os de “evolução da franquia”, “design de personagens” e “qualidade narrativa”.

Da enormidade de coisas que podem ser comentadas a respeito das sprites disponibilizadas junto com a ROM do beta game no último dia 31 de maio as que merecem destaque são:

1) Chicorita era a única coisa certa entre os Pokémons Iniciais. Com 2/3 de sua linha evolutiva mantendo-se no produto final (somente Bayleef foi adicionada depois), o pokémon do tipo Grama diversas vezes criticado pelo público hoje assume um título informal de verdadeira representante de Johto. Flambear e Cruz – antecessores de Cyndaquil e Totodile – ao que parecem são ótimas criaturas, mas não se encaixaram no perfil dos monstros da região. Agora já fica o pedido do público para uma futura utilização de ambos como iniciais nas gerações de games que virão;

2) Hoje também se pode afirmar que Johto quase foi um complemento de Kanto (e vai ter muito rage nesse artigo por conta desta afirmação). O tanto de pré-evoluções e evoluções de monstros da 1ª Geração que foram descartadas no produto final foram a salvação da franquia. Dar evoluções a pokémons como Farfetch’d, Pinsir e Ditto não só seria uma forma de confirmar que a 2ª Geração era um complemento para a anterior como poderia suscitar comentários sobre a falta de criatividade da equipe responsável pelo game (hoje muito questionada por designs feitos nas gerações mais recentes como as Alola Forms);

3) O caso mais emblemático que se pode considerar é o caso de Leafeon. A forma evoluída de Eevee com atributos do tipo Grama era peça presente em Gold e Silver ao lado de Espeon e Umbreon. O pokémon que muito provavelmente deveria evoluir com a ajuda da Pedra da Folha acabou sendo descartado do projeto inicial, mas não esquecido. Duas gerações depois ele retorna em Diamond e Pearl ao lado de Glaceon dando vida no tempo certo para a febre das Eevolution e com uma proposta de evolução muito dinâmica para os jogadores do Nintendo DS;

4) Por fim, mas não menos importante, outras sprites que deram o que falar foram as dos Líderes de Ginásio e a Elite dos Quatro. Com Misty e Geovani (vilão nos games anteriores) entre os membros da Elite dos Quatro, o jogo poderia tomar outros contextos narrativos. O que não aconteceu. À exceção de Koga, Líder de Ginásio em Fucsia, todos os demais membros deste grupo foram inéditos e poderosos a fim de dar um ar de novidade para os jogadores da 2ª Geração. Karen, membro da Elite Quatro especializada em tipos Noturno, provavelmente deixou de ser líder de ginásio para aparecer com um dos desafios mais intensos da 2ª Geração;

O mais engraçado em tudo isso é que essas sprites descartadas agora reveladas foram motivo de muito mais frisson entre os fãs da franquia que o anúncio feito no último dia 28, quando a The Pokémon Company (subsidiária que reúne a Nintendo, Game Freak, Niantic e outras empresas envolvidas na franquia) anunciou o tão aguardado jogo de Pokémon para o console híbrido Nintendo Swicth. Abaixo um meme que representa em uma imagem o que quero dizer e em seguida o trailer dos novos jogos:

Num processo de integração entre narrativas, Pokémon Let’s Go Picachu e Pokémon Let’s Go Eevee são spin-offs que revisitam Kanto na celebração dos 20 anos de Pokémon Yellow, o útimo game da 1ª Geração. Com o conceito de Pokémons mais próximos de nós, Pikachu e/ou Eevee sai de sua pokébola para acompanhar seu treinador lado a lado durante os desafios rumo ao Plateau Indigo. Tudo isso contando com as várias possibilidades de jogabilidade do Swicth e também a febre do mobile game Pokémon GO, que passa a ser uma ferramenta mais do que importante para a manutenção de atrativos para essa nova narrativa que mistura nostalgia e realidade aumentada.

Fico sem entender a pouca reação da comunidade fã de Pokémon para com o novo jogo e a sua quase doentia paixão acelerada por parte de sprites antigas e nunca usadas. Isso vai muito além de saudosismo e nostalgia. Está mais para um caso nada saudável de possessão onde o fandom já se julga tão dono da franquia que considera-se capaz de julgar o que é uma decisão correta e o que não é. Talvez um remake da 4ª Geração seja o mais aguardado, mas ele sozinho não é capaz de fazer o que a The Pokémon Company almeja: renovar seu leque de adoradores sem abdicar de seu séquito fiel de seguidores.

Isso fica muito contraditório, mas é aí que está a graça. Enquanto os fãs renegam um elemento nostálgico em prol de outro que nunca existiu, a desenvolvedora de games busca inovar em cima do que já foi, mostrando o quanto a Nintendo e seus asseclas estão na vanguarda daquilo que consideramos como Indústria dos Games.

Até a próxima e… Sayonara!

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