Connect with us

Críticas

Crítica | Angry Birds – O Filme

Após ser sucesso no mundo dos games, o desafio dado à franquia Angry Birds era o de arrebentar nos cinemas.  Um desafio que foi encarado quase que do zero, porque, fora os personagens já existentes, os roteiristas precisaram desenvolver uma história inédita para a animação, que não conta com uma narrativa propriamente dita no material original. Logo, para criar essa narrativa, os roteiristas deram o enfoque nas diferentes personalidades de cada pássaro, em especial à ave vermelha, Red. O resultado foi uma animação caprichada e divertida, recheada de personagens que zombam de si mesmos.

Em Angry Birds – O Filme, vamos finalmente descobrir o motivo destes pássaros serem tão bravos. O filme nos leva a uma ilha populada inteiramente por pássaros felizes e que não podem voar – ou quase inteiramente. Neste paraíso, Red (voz de Marcelo Adnet), um pássaro com problemas de temperamento, o veloz Chuck (voz de Fábio Porchat), e o volátil Bomba sempre foram excluídos. Mas quando a ilha é visitada por misteriosos porquinhos verdes, cabe a estes improváveis rejeitados descobrir o que os porcos estão tramando.

O filme insiste em um humor frenético, e, pela identidade que a franquia construiu desde o game, não tinha como ser diferente. Cena sim, cena não, algum personagem solta uma piada e, por incrível que pareça, isso não se torna um excesso dentro da narrativa. O roteiro se apoia no humor do início ao fim e abre mão dos clássicos momentos de reflexão, muito comuns nas animações da Pixar (este é um filme da Sony Pictures).

A decisão de deixar de fora esse momento mais sério, que evidencie algum valor moral específico que contribua para a mensagem que o filme pretende passar, tornou Angry Birds em um filme raso. Sem lição de moral, o filme abriu espaço para o desenvolvimento do conflito do filme que demorou muito tempo para desenrolar. Embora apoiado no clichê “personagem rejeitado que salva o dia”, a animação não soube equilibrar inicio, meio e fim.

Os vilões demoram para serem apresentados, demoram para mostrar a que vieram, e até o filme mostrar o conflito entre os personagens, longos e preciosos minutos se passaram. Em meio a tudo isso, entre piadas muito boas, estavam algumas que tentavam usar leve conotação sexual para atingir o público mais adulto, mas que deixaram a desejar.

Além de ser enrolado, Angry Birds – O Filme é pouco criativo e faz os 90 minutos de filme parecerem um pouco mais. Como dito, muito tempo para introduzir a história, muito tempo para desenvolver a narrativa e pouquíssimo tempo para concluí-la. O final veloz parece um tutorial do game, com personagens destruindo torres e porcos sendo queimados ou esmagados.

O visual é caprichado e a dublagem brasileira é boa, ninguém pode negar, mas Angry Birds devia ter sido mais criativo ao escolher para que rumo a história caminharia. Para o público infantil, o filme, sem dúvidas, é bastante divertido. Para o público adulto, que pode ter ido ao cinema com Zootopia e Divertidamente como referências, com certeza ficou um pouco frustrado.

Continue Lendo
INSCREVA-SE NO VOLTS PLAY
Comments

Em alta agora