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Críticas

Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars

Não é o desastre que parecia, mas também não é o Star Wars que precisava.

Foto: Divulgação/LucasFilm

Fã de Star Wars tem trauma de prequels. Parece que depois do desempenho questionável Nova Trilogia (1999 – 2005), a ideia de investigar “as origens” do universo de George Lucas no Cinema parece meio preguiçosa mesmo. Ainda mais se considerarmos o vaaaaasto cardápio de possibilidades em Star Wars. Vai vendo.

Além dessa desconfiança, Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story, 2018) também carregou o desafio gigante de reencarnar um personagem absurdamente icônico, quase impossível de ser dissociado de seu intérprete original: Harrison Ford. Ford é uma personalidade ultra magnética e, vestindo o colete de Han Solo por tantas décadas, seria como esperar um substituto para o Homem de Ferro de Robert Downey Jr. a essa altura do campeonato. Roubada total.

A honra (e a maldição, rs) caiu no colo de Alden Ehrenreich (ótimo em “Ave, César”). Mas, vá lá: a performance seria recebida com muita cobrança independente da decisão do casting. E Ehrenreich de fato se esforça, mas o Han Solo raiz só aparece ali em uma cena ou outra.

E esse é um ponto chave no projeto: falta ao filme muito da aura empolgante de Star Wars, os elementos básicos que constituem o sucesso da saga,; talvez pelo fato de que a trajetória de origem de Han Solo corre por fora do cânone mesmo.

Mas é intrigante a escolha de atmosfera aqui: um visual altamente poluído que se traduz num filme super escuro que muitas vezes até dificulta a visualização das pouco inspiradas sequências de ação. Tudo que não combina com o astral aventureiro e divertido do personagem-título. Não dá pra entender.

E aí o filme oferece pequenos prazeres, como ver os stormtroopers com armaduras do Império, brincadeiras com o fundo falso da Millennium Falcon, alguma referência ao “Han shot first” e o abraço cerimonioso entre Solo e Lando. Mas esses pequenos prazeres não justificam a história do filme, que usa o formato “filme de assalto” numa missão de “roubo de carga” que nunca soa importante o bastante.

E aí a gente chega onde a trama acerta de fato que é na galeria de personagens. O piloto pré-Solo Rio (Jon Favreau), o droid de esquerda L3 (Phoebe Waller-Bridge) e mentor Tobias Beckett (Woody Harrelson). Claro, a presença hipnótica de Emilia Clarke e, finalmente, Donald Glover como Lando. Esse último, embora impulsionado pelo hype, de fato se entrega ao personagem: repare como ele atira ao mesmo tempo em que se protege dos tiros, num meneio espontâneo que condiz muito com a natureza malandra e truqueira de Calrissian.

Dito isso, o filme de Han Solo não é o desastre que parecia, mas também não é o Star Wars que precisava. É o primeiro solavanco dos derivados, depois que a Disney reativou o potencial da saga e entregou o excelente Rogue One. A gente espera que fique a lição: Chega de prequels!

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