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Crítica

Crítica | Kanye West te leva dos céus ao inferno com The Life of Pablo

Álbum foi lançado em fevereiro de 2016.

Quando se fala no nome do rapper Kanye West uma das primeiras coisas que se vem à cabeça é: polêmica. Desde o seu álbum de estreia, The College Dropout (2004), até seus trabalhos mais conhecidos, como My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010) e Yeezus (2013), Kanye West tem uma trajetória no mundo no raphip-hop e produção musical de facetas tão diferentes e distintas que é difícil respondermos à pergunta: o que é o álbum The Life of Pablo?

O mais recente trabalho do rapper já gera polêmicas desde 2013, após o lançamento do álbum Yeezus, onde o título do álbum misturava o apelido de West (Yeezy) com Jesus, gerando polêmicas. TLOP teve seu processo de produção iniciado em novembro de 2013, tendo sido prometido para 2014 com o título de So Help Me God. Desde então, o álbum sofreu uma série de adiamentos e mudanças de títulos, passando por WolvesSWISH e por fim Waves, quando o cantor publicou junto com o título uma foto com a suposta tracklist do álbum.

Em 9 de fevereiro de 2016 tivemos a certeza de que o álbum se chamaria TLOP, e já no dia 11, West fechou o Madison Square Garden para o evento de lançamento do álbum para um público convidado. No dia 14, West disponibilizou o álbum apenas no TIDAL e ainda disse que “seu novo cd nunca estaria disponível para venda, nem na Apple; apenas em streaming no TIDAL”.

TLOP começa a ser um disco controverso desde o seu título e capa. Enquanto ao ‘Pablo’, muitos se perguntavam se ele estava se referindo ao Pablo Picasso ou ao Pablo Escobar, enquanto temos vários “Which One?” (‘Mas qual deles?’ seria a tradução) escritos na capa do álbum, já nos dando a certeza de que haverá uma dualidade explícita naquele trabalho.

West afirmou pelo twitter que o ‘Pablo’ é na verdade Paulo, segundo homem mais importante na história do cristianismo (abaixo apenas de Jesus Cristo). Depois dessa resposta, West nos deixa seguros de que realmente TLOP veio para mostrar lados diversos do rapper. O seu lado mais artístico, como o de Picasso; seu lado mais odiado, errado e invejado, mas também aclamado, como Escobar; e seu lado cristão, como o apóstolo Paulo.

Para quem conhece o trabalho de West, sabe que ele traz sempre o cristianismo em seus álbuns; de forma profana ou não, cada um leva sua opinião. A primeira faixa do álbum já é, sem dúvidas, uma das melhores criações de West até hoje. Intitulada Ultralight Beam (Feixe de Luz Leve), ele conseguiu juntar de maneira incrível o seu rap, mais as participações de 3 cantores (incluindo uma cantora de R&B), mais um coral, e ainda usa o sample do vídeo de uma garotinha de 4 anos orando que viralizou no Instagram. Veja aqui.

Quando você lê o título de algumas canções como Father Stretch My Hands (Pai, Estendo Minhas Mãos), você imagina que se trata de uma canção gospel até ler a letra, e se surpreender com West cantando em alguns versos como se sentiu ao ir a cama com “aquela modelo”, Kim Kardashian, sua esposa.

E é assim que você se surpreende enquanto escuta TLOPFamous, uma das músicas de todo o cd que mais gerou polêmica, traz em seus versos West falando sobre ”achar que deve ir a cama com Taylor Swift, pois fez aquela vadia famosa”. Independente da letra misógina, a canção, que tem versos cantados pela cantora Rihanna, também se consagra como uma das melhores produções de West até hoje.

TLOP é um álbum atraente e inteligente. Cada música não parece ser apenas uma música. Nos 3 minutos de qualquer que seja a canção do cd você sente como se tivesse escutado 2 ou 3 músicas diferentes. West também fez uma ligação entre as canções, e em certos momentos você nem percebe que o álbum passou de uma faixa para a outra. Isso não te deixa cansado, e faz com que os 58 minutos de duração que o álbum tem, passem voando.

Mas, será se nós conseguimos responder à pergunta: o que é o álbum The Life of Pablo? Se você já conhece os trabalhos anteriores de West, TLOP pode ser considerado uma espécie de Greatest Hits confuso e louco. Tal prova do que digo está na letra da canção Feedback, onde West diz ‘Me dê o nome de um gênio que não seja louco’.

TLOP pode ser, sem dúvidas, chamado de uma obra de arte, amada e odiada, profana e cristã. E para termos certeza de que West é realmente um gênio louco, ele voltou atrás do que disse no lançamento do disco, e agora o álbum está disponível para venda e stream além do TIDAL.

Tire suas próprias conclusões e escute o álbum abaixo:

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