Connect with us

Crítica

Crítica | James Blake e o uber-sentimental The Colour in Anything

Álbum foi lançado em maio de 2016.

Talvez o nome de James Blake não seja tão familiar para você, ou talvez ele é “aquele cara” que você já ouviu falar mas nunca procurou buscar canções. O britânico, de 27 anos, lançou no dia 5 de maio de 2016 o seu terceiro álbum de estúdio, The Colour in Anything, que não simplesmente chegou aos ouvidos da crítica como um ótimo álbum, mas é capaz de encantar “a primeiro som” qualquer um que o escute.

The Color In Anything é um disco de transição musical e lírica do cantor, apresentando uma sonoridade em que muito se esperava vir de Blake, totalmente diferente dos seus dois trabalhos anteriores. Hoje, o produtor-compositor-cantor se sente mais a vontade e mais livre para colocar suas letras mais pessoais e críticas, e abraçou nesse disco de vez o R&B e o Soul.

James se mostra em um ponto livre de sua carreira com esse disco. Mas não dizemos livre por pressões de gravadora ou coisas do gênero, até porque James é que comanda a sua própria carreira profissional. O artista finalmente se mostra livre em um tom de maturidade que, poucos artistas tem coragem de expor como Blake fez em seu trabalho.

Antes o cantor era datado como frio e cauteloso, e aqui ele se mostra em seu estado mais emocional e sensível, com um simples propósito que The Colour in Anything tem a transmitir: o final brusco de um relacionamento. Talvez por isso na linda imagem da capa do álbum ainda conseguimos perceber a imagem de uma mulher nua em forma de cruz invertida na parte superior do tronco da árvore.

James poderia fazer um álbum sobre ódio? James poderia fazer um álbum sobre vingança? James poderia fazer um álbum sobre muitas coisas, mas ele escolheu fazer diferente e já em Radio Silence, música que abre o seu cd, Blake nos diz: Nós vivemos em amor por tanto tempo um com o outro. Eu não posso acreditar nisso, acreditar que você não quer me ver.

O álbum pode se pode ser perfeitamente dividido em três partes, narrando uma timeline de acontecimentos. Na primeira, em que ele se encontra mais melancólico (não chegando a ser amargurado, como em seus trabalhos antigos), pois são as canções em que ele demonstra mais nas letras as situações do pós termino de relacionamento, algo que, julgando pelo disco, deve ter abalado demais a vida do artista.

Na segunda, vemos James começar a se superar do seu ex amor, e letras com expressões de ansiedade para conhecer a pessoa certa, como em  Waves Know Shores, onde James abre o Tinder coração e assume ficar madrugadas trocando mensagens em busca que alguém que o conheça como a onda conhece a beira-mar (título da canção). A terceira, mostra quando ele finalmente encontra seu novo amor, fechando um ciclo.

James brinca com loops, synths, baterias eletrônicas (coisas das quais ele já estava mais acostumado a fazer em seus dois primeiros trabalhos), e junta com o R&B e Soul que predominam o novo álbum de maneira delicada, inteligente e suave, dando uma essência única a esse álbum.

As 17 canções, com 80 minutos de execução ao todo, não são de maneira alguma cansativas ou entediantes. Não entendam o Escalada de maneira errada, mas damos a Blake o título de “branco com voz de negro”, não só pela sua potência vocal mas pelas referências que ele traz consigo, como as canções The Colour in Anything My Willing Heart que nos remete ao Soul dos anos 60 de Nina Simone, por exemplo.

Ouvir The Colour in Anything é uma experiência transcendental, te dando sensações de altos e baixos, êxtase e o florescimento de sentimentos no seu consciente que são difíceis de ser explicados com palavras, mas são ótimos em ser sentidos. O artista, que está em alta nesse ano com parcerias com Beyoncé e Drake, está criando seu próprio marco no mundo musical, altamente merecido.

Você pode ouvir o álbum The Colour in Anything abaixo:

Em alta agora