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Críticas

Crítica | La Casa de Papel – Parte 1

Argumento bom e personagens carismáticos fazem o sucesso de La Casa de Papel.

Foto: Divulgação/Netflix

A atualização mensal de produções no catálogo da Netflix sempre traz uma candidata a hype da vez. Em dezembro de 2017, foi a vez de La Casa de Papel (2017) – o sucesso espanhol que ganhou o mundo por causa do serviço de streaming. E não era para menos, já que a série se envolve num argumento muito atraente e bem conduzido. Mas será que vale a pena entrar nesse hype?

Na série, oito habilidosos ladrões se trancam na Casa da Moeda da Espanha com o ambicioso plano de realizar o maior roubo da história e levar com eles mais de 2 bilhões de euros. Para isso, a gangue precisa lidar com as dezenas de pessoas que manteve como refém, além dos agentes da força de elite da polícia, que farão de tudo para que a investida dos criminosos fracasse.

A lógica da série é embelezada pela estética adotada, da fotografia estilosa ao meticuloso uso do vermelho que demonstra o quão poderosa e esmagadora essa cor pode ser. A forma como essa caçada a la cão e gato é montada cumpre tão bem seu papel que facilita a vida dos maratonistas de série mundo afora. Junta-se tudo isso ao carisma e personalidade dos personagens e começamos justificar o sucesso da série.

O Professor é, sem dúvidas, o personagem mais fascinante entre todos eles. Sabe de tudo um pouco – de estratégias policiais até balística e psicologia. Consegue, mesmo sem participar das cenas de ação, ser o ponto central de alguns dos grandes momentos de tensão que nos faz agarrar o travesseiro enquanto os olhos se vidram na tela.

Apesar de construir bem a trama central, La Casa de Papel vacila um pouco nas subtramas. Soa estranho, por exemplo, uma investigadora como Raquel Murrillo (Itziar Ituño) ser escalada para uma missão tão grave, estando em um momento pessoal tão delicado ou mesmo permitir-se flertar com desconhecidos em meio ao caos. Um arco que deve ter feito as novelas mexicanas se sentirem representadas.

A irresponsabilidade e benevolência da gangue, que foi montada basicamente pela perspicácia de cada membro, são tão irritantes quanto os reféns que pintam e bordam na cara de criminosos armados até os dentes. E é preciso ressaltar um ponto sobre o personagem Arturo (Enrique Arce): que homem chato.

Mas não se engane, La Casa de Papel é empolgante. O “carisma” dos personagens dão margem para situações adversas, mas a preocupação do enredo em usar esses momentos para dar profundidade aos papéis vira o jogo a favor da série e desenvolve vínculos com o público capazes de criar torcida para que tudo fique bem com os bandidos. Coisa de trama bem planejada para nos fazer reféns dessa história. É, vale a pena entrar no hype sim.

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