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Críticas

Crítica | Jogador Nº 1

Com Steven Spielberg no comando, Jogador Nº 1′ constrói história delirante com universo próprio e flertando com referências.

Foto: Divulgação/Warner

É fácil se iludir com a empolgação de um filme que usa dezenas de referências afetivas como muletas. Um tipo de entretenimento fácil que é exatamente o que Jogador Nº 1 (Ready Player One) flerta, mas passa bem longe de praticar – apesar do que o hype sugeria ao longo dos materiais de divulgação. Dirigido por Steven Spielberg, o filme traz uma das experiências mais interessantes dos últimos tempos nas telonas.

Num futuro distópico, em 2044, Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday (Mark Rylance) morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável. Para vencer, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir.

Apesar dos inúmeros easter eggs em relação personagens de filmes, games e televisão, Jogador Nº 1 consegue resistir à tentação e utiliza-os apenas como elementos alegóricos, desenvolvendo a própria história sem que dependa de nenhuma referência sequer ou, tampouco, se esforce para chamar atenção para elas. Simplesmente estão lá para a diversão de quem quiser achá-las. Elejo a delirante e estilosa versão do filme O Iluminado (Stephen King/Kubrick) como a mais divertida delas.

O foco na obsessão de Wade Watts pela vida e obra de Halliday evidencia o vazio na vida do personagem, que dedicou a história para conhecer a fundo cada passo de seu ídolo. Ao buscar soluções para os desafios, soa estranho como Wade conhece detalhes da vida do criador e, embora o filme caminhe para outra direção e não questione isso, também revela o fanatismo dos jogadores que talvez estivessem disputando pelo posto de Fã Nº 1 sem nem perceber.

Dessa forma, a premissa do filme poderia ser totalmente diferente se assim quisessem. Que tal a luta para que cada jogador pudesse ser um criador próprio (ainda mais em um mundo que tanto referencia obras alheias) ou até pela destruição da realidade virtual para que a vida de carne osso pudesse voltar a ser o foco? Não foi assim e nem precisava ser, mas é outro ponto de vista.

Nesse sentido, o peso da mão de Spielberg fez toda diferença para, ainda assim, construir um universo com propostas claras, personagens que merecessem torcida pela vitória e um visual deslumbrante que pede para ser acompanhado em 3D – principalmente pelo mérito de ser quase todo feito em animação. Apesar de enroscar um pouco na procura por um final, Jogador Nº 1 é uma aventura tão estonteante que você nem sente os 140 minutos passarem. Pelo contrário, só ficam melhores a cada referência que você identifica, numa sensação parecida com a que os jogadores têm ao ganhar coins. Essa referência você só vai pegar se tiver assistido ao filme, ok? Foi um ótima jogada, Steven.

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