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Críticas

Crítica | Tomb Raider: A Origem

Nova adaptação começa a redesenhar superficialmente Lara Croft nos cinemas.

Foto: Divulgação

São novos tempos, novos pensamentos e uma vontade antiga de assistir uma nova Lara Croft nos cinemas. Sucesso nos videogames e, até então, eternizada nas telonas sob a sensualidade e talento de Angelina Jolie, Tomb Raider conquistou outra oportunidade de chegar a novos públicos através do filme que conta sua origem e é dele que falaremos agora.

Em Tomb Raider: A Origem, Lara Croft (Alicia Vikander) aparece com 21 anos, levando a vida fazendo entregas de bicicleta pelas ruas de Londres, se recusando a assumir a companhia global do seu pai desaparecido (Dominic West) há sete anos, ideia que ela se recusa a aceitar. Tentando desvendar o sumiço do pai, ela decide largar tudo para ir até o último lugar onde ele esteve e inicia uma perigosa aventura numa ilha japonesa.

O passo a passo da história é bem montado. Os momentos que evidenciam a habilidade de Croft em lutas, reflexos apurados e agilidade são críveis, sem exageros e expõe, inclusive, as fragilidades físicas da personagem. O bom trabalho de roteiro dispensa didatismos ao ressaltar a inteligência e coragem de Croft, que neste filme ganha muito mais destaque que o físico.

Dessa vez, nada de ser sexy sem ser vulgar. A sensualidade que marcou a história da personagem pelas curvas propositais nos design da personagem nos games só é lembrada nos gemidos de Alicia Vikander ao cair de um penhasco ou ser ferida em fuga. Se foi proposital como referência ao passado de Crof não sabemos, mas que gerou burburinho na sala de cinema, isso gerou.

Talvez o ponto mais discutível de Tomb Raider: A Origem seja a motivação do pai de Lara, Richard Croft, que é o principal motor do filme. O desenvolvimento desse arco pincela com as convicções do personagem e permite que haja dúvida sobre a lucidez do homem. Na sessão, por exemplo, quando Richard começava a falar era comum ouvir das poltronas: “Ah, cala a boca!”, tamanha era a impaciência para a enxurrada de teorias.

Com foco totalmente voltado para a sina de Croft, a construção das relações da protagonista com os personagens a sua volta foi prejudicada pela superficialidade. Exemplo: Lara demora sete anos para encontrar o pai, arrisca a própria vida incontáveis vezes antes de achá-lo e quando o encontra chora, abraça forte, diz que sente saudade, certo? Errado! Eles brigam e quase se dão as costas!

O lado bom dessa escolha feita é que sobra mais tempo de tela para explosões, perseguições, fugas e cenas de ação, fortemente ajudadas pela trilha sonora que não se faz passar despercebida. Nem a trilha, nem Vikander, que contribuiu para um redesenho mais crível de Lara Croft, ainda que precise trabalhar um pouco mais para ser encobrir o legado dos games e de Jolie para a personagem.

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