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Animês e Mangás

Artigo Otaku | Conhecendo as Demografias em Mangás (FINAL)

Quarta e última parte do especial sobre a classificação dos mangás.

Durante todo os finais de semana do mês de março o VOLTS trouxe ao leitor do Artigo Otaku a série “Conhecendo as Demografias em Mangás” com o intuito de debater de forma um pouco mais aberta as questões sobre tipos de mangás, seus públicos e estruturas comerciais.

Em nossa Parte 01 destacamos as duas principais demografias de conhecimento do público, o shounen e o shoujo, além de explicar um pouco mais como funciona a noção de publicação por demografia no Japão. Na Parte 02 o assunto em xeque foram as variações do shounen e do shoujo (o shounen-ai e o shoujo-ai), além de duas novas demografias, o seinen e o josei. Por fim, na Parte 03, destacou-se a última das demografias – o kodomo – suas variações (o shogaku) e iniciamos o debate sobre os gêneros exclusivos dos mangás com o seijin/hentai.

Na última parte de nosso artigo especial apresentaremos en passant alguns outros gêneros narrativos nascidos nos mangás e que conquistaram o mundo. Vamos a eles:

 

Mecha

Talvez esse seja o gênero de mangá mais conhecido pelas bandas do ocidente. Isso porque o mecha originalmente nasce em obras de ficção científica ocidentais sendo A Casa a Vapor de Júlio Verne (1880) a primeira a dar forma ao conceito, assim como diversos elementos do steampunk e por sua vez do cyberpunk moderno.

Como gênero de mangá, no entanto, a ideia mais original é datada de 1943 com Kagaku Senshi Nyuu Youku ni Shitsugensu (O Guerreiro Científico Surge em Nova York). Um cartum publicado na revista Mangá durante a Segunda Guerra Mundial e simbolizava o avanço industrial do ocidente. Algo que sempre atraiu os japoneses, como destaca Cristiane A. Sato em seu livro JAPOP: o poder da Cultura Pop Japonesa ao afirmar que “o robô gigante é uma figura ficcional que reflete as expectativas que os japoneses, enquanto uma sociedade industrializada, têm em relação ao futuro e a tecnologia”.

Em 1952, Osamu Tezuka apresenta Tetsuwan Atomu (Astro Boy) que tenta reaproximar o Japão do ideal da tecnologia no Pós-Segunda Guerra. Um pouco depois, em 1956, ainda tivemos Tetsujin 28-go de Mitsuteru Yokoyama. Contudo, o mecha como conhecemos hoje só deu as caras com o clássico de Go Nagai, Mazinger Z. Um robô-gigante controlado por um piloto. Esse é o plot do mangá do mestre do sci-fi dos quadrinhos japoneses e também a raiz de todo o gênero.

A ideia do mecha se tornou tão enraizada na cultura pop japonesa que deu origem a diversas franquias e personagens famosas como é o caso dos Transformers (Hasbro), Macross, Gundam e ganhou o ambiente da TV com os tokusatsu Super Sentai. Outro mangá sucesso que tem o mecha como grande destaque é Neo Genesis Evangelion de Hideaki Anno. Em 2018 mais um mecha é destaque entre os mangás e animês. Seu nome é Darling in the FRANXX (Trigger/A-1 Pictures).

O cinema internacional é inspirado em muitos momentos no gênero mecha. É o caso de Guillhermo del Toro e sua franquia Pacific Rim (Círculo de Fogo), que reúne mechas (robôs gigantes) com outro gênero muito conceituado do cinema japonês: os kaijus (monstros gigantes).

 

Mahou Shoujo

Embora leve shoujo no nome, o mahou shoujo em geralmente encaixado nos segmentos demográficos shounen. Mahou shoujo, o simplesmente garota mágica, é um gênero nascido no Japão que retrata a vida e aventura de garotas comuns que por alguma razão são abençoadas com poderes mágicos e iniciam combates pela manutenção da paz ou apenas para proteger seus amigos.

Novamente Mitsuteru Yokoyama é o responsável por ser um dos primeiros pela formação do gênero (nesse caso ele é o pioneiro). Em 1966 ele publica Mahoutsukai Sally, o primeiro mahou shoujo da história dos mangás. As principais características do gênero são: 1) presença de uma criatura mágica que concede os poderes à protagonista; 2) um item mágico que concede poderes à protagonista; 3) a protagonista já possui os poderes latentes adormecidos e é forçada a entrar em combate contra o mal. Em alguns casos as mahou shoujo ganham auxílio de um mahou shounen (garoto mágico) e se envolvem romanticamente com eles.

As mahou shoujo são as maiores ídolos pop do universo ficcional para muitos otaku no Japão e no mundo. Por suas características moe são sempre retratadas como lolitas ou adolescentes bonitas e viram verdadeiras entidades de adoração para alguns.

Dentre as principais referências do mahou shoujo destaca-se Sakura Card Captor, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Sailor Moon e Puella Magi Madoka Magica.

 

Harém

na contramão do gênero das mahou shoujo, o harém é outro gênero exclusivo dos mangás que nasce na ideia de reunir um(a) protagonista com vários membros do sexo oposto vivendo situações de cotidiano (slice of life) com comédia, ação, romance, drama e demais caminhos literários.

Em muitos casos o harém também é dotado de elementos eróticos (ecchi). Os fãs comumente chamam harém quando a trama usa a equação um homem várias mulheres e reverse harém quando se trata de uma mulher e vários homens.

Alguns mangás famosos do gênero incluem Love Hina, Tenshin Muyou e To Love-Ru.

 

As demografias fora do Japão

Compreender a classificação de demografias – e entender os gêneros dos mangás – é fundamental para o fã para que ele possa saber classificar e pesquisar a respeito das obras de seu interesse. Funciona como uma espécie de filtro que auxilia na busca pelo melhor conteúdo ou mesmo o em potencial sucesso.

Entretanto a aplicação das demografias não faz sentido fora do país asiático. Deve-se levar em conta que no Japão a publicação é feita de forma regular em revistas semanais e no formato de folhetim, com capítulos publicados nesse intervalo de tempo e só depois compilados em um único volume (tankobon, kanzenban etc.)

A comercialização de um mangá nos países estrangeiros depende fundamentalmente do sucesso de animês exibidos nas TVs (e agora nos serviços de streaming oficiais ou alternativos) e de uma boa negociação das editoras locais com as subsidiárias nipônicas. No Brasil, por exemplo, dado o sucesso de shounens como Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z levaram as publicadoras de quadrinhos do país a se especializar na demografia. Mesmo assim mangás shoujo e seinen são lançados por aqui, mesmo que de forma menos expressiva.

Há países europeus que tentam se adequar a forma de publicação de mangás do Japão. A Itália por exemplo vem publicando semanalmente mangás – e não capítulos! -, mas a questão é se essa forma de publicação conseguirá se manter sem o suporte das revistas e das agências de publicidade que norteiam a indústria dos quadrinhos japoneses.

Espero que essas leituras tenham sido esclarecedoras e que você possa se aprofundar mais no universo dos mangás indo bem mais além do que simplesmente acompanhar uma história.

Até a próxima e… Sayonara!

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