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Animês e Mangás

Artigo Otaku | O fim de Dragon Ball Super e a força de uma franquia

Chega ao fim um dos animês mais badalos dos últimos anos.

E na noite de sábado (24) o último episódio do animê Dragon Ball Super foi ao ar e milhões de pessoas se emocionaram com o desfecho com proporções épicas que tomou o Torneio do Poder. Na arena um Jiren esgotado encarava um Freeza tão ou mais acabado como ele, além de um Androide n°17 que para a alegria de todos “retornava dos mortos”. Ainda na arena permanecia Son Goku sofrendo com as consequências do Migatte no Gokui (O Instinto Superior).

O Imperador do Universo foi tácito ao tecer comentário de escárnio para o atual estado de Jiren (chegando até mesmo a citar a não existência da “poker face” do guerreiro do Universo 11 mantida por muito tempo). O combate foi intenso a cada segundo. Freeza lançou-se em uma troca de golpes com “O Cinzento” proporcionada pelo estado físico debilitado de ambos. Androide n°17, na cobertura, era o suporte perfeito. Sua capacidade infinita de energia permitiu atingir o adversário com a maior variedade de ataques e habilidades. E eles conseguiram colocá-los de joelhos.

Como roteiros são construídos para surpreender (ou não!) é necessário que plot twist e/ou clichês sempre deem as caras durante o ápice da ação. No caso do episódio #131 ambos dialogaram perfeitamente. Após um ataque suicida do androide (mais um num curto intervalo de tempo) Freeza teve em suas mãos o destino do combate. Com seu Death Gun diante da face de Jiren só era preciso um tiro e estava tudo acabado. Seu adversário havia reconhecido isso.

Jiren, um ser que abandonou tudo e todos e lutou por suas próprias forças pela primeira vez ouviu os outros. Num discurso breve, mas inflamado do companheiro Toppo ele encontra aquilo do qual Son Goku lhe falou ao longo do combate: a força da amizade. Insano, ele facilmente conseguiu devolver toda a pressão que seus algozes lhe administravam. Num piscar de olhos eram Freeza e Androide n°17 que estavam a um passo da derrota. Algumas trocas de palavras, sorrisos e piadas. O fim só não veio porque Goku ergueu-se novamente para o combate. É nesse momento que o clichê dá lugar ao plot twist.

 

(Quem diria que essa dupla um dia seria a última esperança do universo!)

 

Nem eu, nem você e nem ninguém (e quem disser isso é mentiroso!) imaginou que um dia veríamos Goku e Freeza lutando juntos de forma orquestrada numa troca de golpes mortais contra um adversário em comum. Dragon Ball Super foi uma redenção ao vilão. Não! Freeza não se tornou um mocinho. Longe disso! Quem viu o final do episódio pode ter a certeza de que ele sempre será pura maldade para alivio de nossas lembranças.

Entretanto, ver o alienígena maligno e seu maior adversário unidos por uma causa comum mostra a concretização de uma máxima que diz que no mundo – seja real ou ficcional – não existem bons ou maus, tudo é uma questão de objetivos e pontos de vista, além de ponderações sobre como essas atitudes se refletem nas vidas de outros. A redenção que aqui se fala é levada pelo fato de encarrarmos Freeza como o grande vilão da franquia, mas que por muitos anos foi deixado de lado visto que adversários mais poderosos como Cell e Majin Boo apareceram. O destaque dado a ele foi mais que um presente: foi um sinal de respeito.

A luta coordenada e inusitada de Goku e Freeza rendeu o resultado esperado: Jiren finalmente caiu! Restava agora somente um único universo dos oito em combate e ao vencedor um desejo. Quis os caminhos da narrativa que o incansável Androide n°17 ficasse de pé sozinho na arena construída no Mundo do Vazio. Sim, porque se tivesse sido Freeza qual não teria sido seu maligno pedido? E Goku? Mesmo todos nós tendo total certeza que seu pedido não seria diferente daquele feito pelo vencedor, o mais correto é que não lhe fosse permitido tamanha responsabilidade A grandiosidade dessa escolha não combina com o perfil do lutador.

Dragon Ball Super termina após quase três anos de alguns altos e baixos. Após um começo cheio de repercussões negativas motivadas por problemas com a finalização de artes (principalmente no character design) e momentos nada divertidos com os prolongamentos de ações que já conhecíamos (me refiro às adaptações dos filmes lançados anteriormente), tudo ganhou mais contexto com o surgimento de uma trama mais ampla envolvendo os universos.

 

(Essa dupla foi a coisa mais inesperada e emocionante em toda a série)

 

Contudo, nem mesmo uma trama mais sombria (a saga de Goku Black) causou tanta comoção. No geral, foi até mesmo frustante dito o seu desfecho. Por pouco mais de um ano a última fase da animação resgatou a essência de Dragon Ball como franquia ao apresentar o cerne de tudo: O Torneio do Poder. De fato não há nome mais propício. A obra criada em 1989 por Akira Toriyama não se trata de nada que não seja o poder. Tem contexto, tem sentimentos, tem fundamento, mas acima de tudo tem ação, e por consequência a supremacia do poder.

Cada luta executada ao longo do torneio resumiu a essência da série. Tanto que nessa reta final mobilizou fãs ao redor do mundo inteiro sendo motivo para situações que ultrapassam os limites das telinhas, das discussões virtuais para ser algo mais: ser a concretização de um desejo dos otaku, que é ganhar representatividade e notoriedade a partir de suas séries favoritas.

Tá certo que Dragon Ball Super vai mais além de uma discussão de nicho. É mainstream. É de todos. Então é uma discussão que pauteia várias bases, grupos e até mesmo práticas de consumo. O sucesso da série só mostra que conta fatos não há argumentos: Goku e seus amigos fazem parte da série japonesa mais famosa da Terra!

 

(Teaser trailler oficial do novo filme de Dragon Ball Super anunicado para 2018)

 

Agora mantenha a calma, pois não acabou. O novo filme de Dragon Ball Super promete ser uma sequência dos acontecimentos do animê de 131 episódios. Não foi revelado muita coisa até agora, mas se nos basearmos nas entrevistas que Toriyama-sensei já participou é bem provável mesmo que venhamos a conhecer um pouco mais sobre o passado da raça guerreira do sayajins e talvez sejamos apresentados a Yamoshi (revelado pelo próprio autor), aquele que segundo as lendas é dito ser o verdadeiro Super Saiyajin Deus e o real motivo dos medos de Freeza e a peça fundamental da visão de Bills, que motivou o início de toda uma saga. Aguardemos.

Até a próxima e… Sayonara!

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