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Animês e Mangás

Especial Otaku | Quando os famosos revelam seu lado Otaku

Kim Kardashian conquistou muitos fãs otaku após um post no Instagram.

Quando menos se espera algo vira notícia. Pode ser que para um determinado grupo de pessoas aquele acontecimento não seja interessante, mas para outras ele pode ser o start para vários comentários. Foi assim na tarde de ontem (05) quando de forma despretensiosa a socialite Kim Kardashian conquistou a admiração de milhares de fãs otaku ao redor do mundo graças a uma simples postagem em seu Instagram.

 

A socialite norte-americana apresentou ao seus seguidores uma fanart da personagem Zero Two do animê Darling in the FRANXX, que está em exibição ao longo da Temporada de Inverno 2018, e anunciou que foi dali que veio a inspiração para seu novo visual divulgado dias atrás na mesma rede social.

 

 

É notório que as reações foram as mais diversas e a aceitação da figura pública junto ao fãs otaku aumentou bastante em pouco mais de 24 horas. Sites e blogs especializados em conteúdo pop oriental repercutiram a publicação e lembraram que essa não a primeira vez em pouco mais de um mês que Kim Kardashiam vira tema de notícia para a comunidade otaku. No início de fevereiro ela foi vista em uma loja de mangás em Shinjuku, Japão. A loja em questão era a Animate, rede varejista de produtos de mangás e animês.

A popularização desse lado fã da socialite faz levantar aquela velha pergunta: Seria Kim Kardashian uma otaku? Bom, ainda não se pode afirmar nada – embora as evidências deixem claro -, pois em nenhum pronunciamento feito por ela foi dito sobre como está o seu nível de relação com a Cultura Pop Japonesa.

O que se sabe é que Kim Kardashian tem bom gosto. Darling in the FRANXX é um dos animês mais bem recebidos pela crítica no início de 2018 por se tratar de uma produção conjunta de dois gigantes do entretenimento japonês, os estúdios Trigger e A-1 Pictures, em um projeto ousado de animação original que trabalha o universo shounen em gêneros clássicos como o sci-fi, mecha, romance, comédia e ecchi. Já a personagem Zero Two é cotada como uma das best girl/waifus da temporada e já está nas listas populares para as melhores de 2018.

No ocidente o animê é exibido semanalmente pelos serviços de streaming Crunchyroll e Funimation (qual será que a Sra. West assina?). A trama gira em torno dos protagonistas Hiro e Zero Two que para proteger a humanidade dos urrossauros pilotam máquinas de combate conhecidas como FRANXX que só se movimentam através da interação de um parceiro macho e uma parceira fêmea (sim, macho e fêmea porque Zero Two não é totalmente uma humana…) e requer um nível de intimidade e conhecimento dos dois lados para revelar todo seu poder.

Deixando de lado o animê em si (só por um momento) chama a atenção aqui ver que as ditas celebridades que tanto adoramos seguir são gente como a gente e tem até mesmo gostos que não aguardávamos. Kim Kardashian, contudo, não é a única famosa que já revelou ter um lado otaku. A lutadora de UFC, Ronda Rousey, já se declarou nerd de compromisso e apresentou um lado bastante otaku fazendo cosplay de personagens como Serena/Usagi (Sailor Moon) e desfilando com camisetas de Dragon Ball Z no octógono (o animê é o seu favorito).

Pensando nesses dois exemplos fomos atrás de outras celebridades que já revelaram ter um lado otaku durante entrevistas ou mesmo em suas redes sociais. Confira na imagem:

Com certeza você não sabia que ao menos a metade dos dezoito famosos listados acima tem seus animês, mangás ou mesmo tokusatsus preferidos, revelando um lado otaku desconhecido. Chamam nossa atenção personalidades como Kanye West (o marido de Kim Kardashian) que revelou ser fã de Akira e Bleach e chegou a usar referências desses animês em trabalhos como Stronger, onde alusões ao universo distópico da obra de Katsuhiro Otomo são evidentes e o próprio Sr. West faz às vezes de Tetsuo.

Akira também é inspiração certa para mentes do cinema como J.J. Abrams, Guillhermo del Toro e as Irmãs Watchowski. Essas últimas também apresentam um lado otaku bem efervescente com referências a Ghost in The Shell na franquia Matrix, além de terem dirigido o filme de adaptação do clássico Mach Go Go (Speed Racer).

Robbin Williams, Leonardo DiCaprio e Daniel Redcliffe estão entre os muitos fãs da filmografia de Hayao Miyazaki. Já o ator Keanu Reeves se mostrou um otaku velha-guarda com animês clássico como Cowboy BeeBop, que completa 20 anos em 2018. A cantora e líder da banda Paramore, Hayley Williams, uma das mais novas entre os já citados, tem referências em animês como Digimon e Death Note que são da primeira década do século XXI. Já Will Smith vai além das animações e disse ser fã de Ultraman, clássico dos tokusatsus.

Recentemente, além dos já falados, outros famosos que revelaram seu lado mais otaku foram os atores John Boyega (Star Wars: Episódio VII – O Depertar da Força) e Michel B. Jordan (Pantera Negra).

Se mostrando bem mais otaku do que se imagina, John Boyega (que interpreta Finn na franquia da Disney) listou em entrevista recente seus cinco animês favoritos – no momento! – incluindo febres do shounen como Shingeki no Kyojin/Attack on Titan, Naruto, Nanatsu no Taizai/The Seven Deadly Sins, Hunter X Hunter e Bleach. Já Michel B. Jordan, que vive Killmonger no longa-metragem da Marvel, revelou em seu Twitter ser muito fã de animês e chegou a citar as personagens Goku e Naruto como exemplo, segundo ele porque sabe que se citar outros seus seguidores não-otaku ficaram perdidos. Em fevereiro ele chegou até a responder um comentário de um fã que ironizava o fato dele ser fã dos desenhos japoneses.

 

Aqui no Brasil isso também acontece. A musa pop Pabllo Vittar é outra celebridade declaradamente otaku. No Carnaval 2018 chegou a se apresentar fazendo cosplay da personagem Musashi/Jessy da franquia Pokémon. Em seu Twitter, Pabllo sempre aparece com um comentário espontâneo sobre um animê ou mesmo atendendo a pedidos dos fãs despretensiosos sugerindo séries famosas como Hunter X Hunter de Yoshihiro Togashi.

 

 

O que se pode concluir é que quando menos se espera alguém conhecido revela que tira ao menos um momento do dia para curtir um bom animê, mangá ou qualquer outra mídia nativa do Japão que ganhou o mundo pelo seu caráter de entretenimento. Você deve estar se perguntando se todas as pessoas citadas até aqui são otaku. Eu diria que alguns sim outros não. Ser otaku não é uma regra e muito menos fácil de se caracterizar apenas porque alguém assiste/ler algo de origem japonesa.

Para o antropólogo capixaba, Vlad Schüler Costa, em seu blog e na pesquisa Geração Sentimental: Trajetórias e Carreiras entre Otakus definir-se como um otaku requer duas etapas para quem se envolve com essa cultura. São elas:

  1. Becoming – Tornar-se um otaku depende do indivíduo e não apenas de como ele é enxergado pela sociedade. Aos olhos de terceiros ele pode aparentar as características de um otaku (ser fã incondicional de mangás, animês ou qualquer outra coisa do pop japonês), mas ele só se tornará um quando aceita isso e evidencia em seu discursos e ações tornando o ato de ser fã algo esclarecido e vivenciado em público.
  2. Being – Ser otaku está relacionado com sua vivência com outros otaku onde se constrói uma hierarquia de representatividade dentro do fandom variando desde da forma como você consome (quem lê/assiste mais tem mais credibilidade) à forma como você interage (produção de conteúdo na web ou mesmo o cosplay são itens a ser considerados) definem o quão otaku você é perante os outros.

Num olhar superficial dá para dizer que as celebridades que seguimos e consumimos diariamente são parte de um mix cultural que impõe um doutrinamento onde tudo o que é Pop é legal. O mesmo vale para os conteúdos de entretenimento japonês quando chegam ao status de cult. Kim Kardashian não foi a primeira e nem será a última pessoa na face da Terra a revelar suas influências na Cultura Pop Japonesa. Tudo isso é um passo para o surgimento do tão aclamado Otaking – O Rei dos Otaku -, assim como profetizou a equipe no mockumentário Otaku no Vídeo (1991) do Studio Gainax.

Até a próxima e… Sayonara!

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