Connect with us

Críticas

Crítica | Três Anúncios Para Um Crime

Humor negro, raiva, vingança e erros técnicos são as palavras chaves do longa.

Quem liga para outdoors hoje nas ruas de sua cidade, quando passamos de carro ou ônibus? Muitas vezes, tais propagandas passam totalmente despercebidas por nós, mas em Três Anúncios Para Um Crime um outdoor tem um significado (e poder) totalmente diferente.

Facilmente destacado como uma comédia em tons cinza e preto, sem grandes alardes, efeitos e promoções, o filme narra a odisseia de Mildred Hayes, interpretada pela também indicada na categoria de Melhor Atriz do Oscar, Frances McDormand, uma mulher reivindicativa, implacável e vingativa que tenta encontrar o autor do estupro e assassinato de sua filha.

Alugando três outdoors em uma estrada raramente usada, Mildred pensa ter dado um check mate nas autoridades policiais da fictícia cidade de Ebbing, sem saber que isso seria apenas o inicio de um grande jogo de xadrez em sua vida.

Usar problemas sociais ou falar de grupos oprimidos para fazer humor não é nada novo sob o sol. A diferença é que agora está na moda conseguir manter a máscara de “engajado social” enquanto se faz isso. Três Anúncios traz abuso de poder, abuso doméstico, estupro, racismo e temáticas feministas de maneira às vezes muito errada, às vezes muito certa. E esse é seu maior problema. E o diretor e roteirista, Martin McDonagh, sabe muito bem do que ele estava fazendo: ele não é doido.

Martin escolheu deixar algumas questões mais sérias do filme em segundo plano, tais como a violência doméstica, abordada de maneira muito natural, ou a questão do crime em si, que geram as propagandas dos outdoors, que são “esquecidas” no meio do filme

Mas as críticas são válidas. Três Anúncios tem uma fotografia simples mas linda para um filme de investimento de apenas U$$ 12 milhões – e que já conseguiu arrecadar em bilheteria esse número multiplicado em 10 vezes.

Mildred também foge dos estereótipos​ femininos tradicionais, da imagem tão conhecida e batida da mãe abnegada e sofrida que busca vingança pela morte de uma filha. Ela é uma mulher dura (e põe dura nisso) de macacão e cara emburrada, e nada de maquiagens.

Ah, você já falou de homens brancos defendendo homens brancos? O Volts, para questão de esclarecimento geral, não é brancofóbico (se é que isso existe mesmo). Uma redenção final (nonsense) pode pegar muitos de surpresa. O filme não é o mais forte, mas pode se tornar facilmente o preferido de muitos – inclusive deste redator ao qual vos escreve – por um motivo que não há como discutir: as atuações são incríveis, tão boas quanto esperávamos, considerando os nomes que compõem o elenco.

No final, interrogue suas próprias reações: achou o filme forte? Achou o filme de um humor negro comum ou revolucionário? Ou ficou como o redator deste texto ficou: “Que p***a foi essa????”.

Três Anúncios Para Um Crime, pode subir no palco, porque esse Oscar é seu.

Em alta agora