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Entrevistas

Entrevista | Conversamos com o escritor Arnaldo Vieira

O autor lança seu primeiro livro nesta quinta (18), no espaço AMEI.

Foto: Divulgação.

Sob influências da literatura modernista e de elementos da cultura pop, o escritor Arnaldo Vieira lança seu primeiro livro intitulado Música para afogamentos. A obra reúne 32 poemas que tratam de assuntos do cotidiano que ganham um enlevo poético na visão do autor.

Um velório, um hospital, a janela de um ônibus e outras situações são exploradas por Arnaldo, que não deixa de lado os lados amargos e doces que nós vivenciamos no dia a dia. O livro será lançado nesta quinta-feira (18), às 19h no Espaço AMEI (Shopping São Luís).

O Volts conversou com o escritor Arnaldo Vieira para saber mais sobre a obra. Confira!

Volts – Por que escolheu ‘Música para afogamentos’ como nome da coletânea? O título da obra soa muito popular, mas ao tempo mórbido, e os poemas carregam consigo a morbidez. O título teve essa intenção?

Arnaldo Vieira – Acho que a morbidez é uma sensação tão válida quanto as outras. O título não teve exatamente essa intenção, mas acaba sendo uma coisa recorrente nos textos mesmo. Eu gosto de mesclar essas coisas, da ideia agridoce, coisas boas e ruins acontecem. O poema do título passa por essa ideia.

V-  As imagens da coletânea lembram muito os poemas populares com imagens absurdas. Como foi o processo de escolha de imagens?

Arnaldo – Sempre gostei desse tipo de imagem. Quando escolhi o título do livro, essa ideia veio à mente e foi o que exploramos na construção do livro, misturar essa absurdidade com coisas do cotidiano.

V –  Parte dos poemas de Música para afogamentos veio do seu blog “Eu e as reticências”. Como você escolheu os poemas para compor a obra?

Arnaldo – Tenho o blog desde 2007 e alimento sempre com minhas poesias. Só que tem muita coisa que já não representa bem o que eu penso ou não me parece mais fazer sentido ou o próprio estilo não me agrada tanto. Essas coisas ficaram lá e não vieram pro livro. Você olha as coisas que escreveu há 10, 11 anos e parece que foi outra pessoa que colocou aquilo ali. Essa outra pessoa não veio pra o livro (risos).

V – O poema “Maca sem número” é ambientado em um hospital e soa como a própria espera e a sensação de se estar nesse local. Qual a intenção de se produzir algo tão realista? E você já experimentou a mesma sensação?

Arnaldo – Escrevi esse poema em 2009, durante uma noite em que passei acompanhando meu avô em um leito improvisado no Socorrão II. Ele é basicamente uma descrição dessa noite, que veio a ser a última do meu avô. No outro dia, quando fui para casa, recebi da minha mãe a notícia do falecimento dele. Os três primeiros textos são algo como um obituário de familiares, são formas de me lembrar de alguns parentes que faleceram.

V – O poema “Quadrilha Infantil” é uma releitura de Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade. Como essas influências modernistas e as influências contemporâneas moldaram a construção dessa obra?

Arnaldo – Não tem como a gente não se influenciar por tudo que lê, que assiste. Os poemas têm um pouco de cada autor que leio. Eu gosto muito do Drummond e de diversos outros poetas. Os temas e os estilos dos textos surgem também a partir dessa influência das leituras. Quadrilha deve ser um dos poemas com mais releituras no Brasil. Eu gosto muito de ver essas releituras, como são construídas. Vendo a timeline do Facebook no dia das crianças, surgiu a ideia de fazer a minha.

V – Sobre a sensação de afogamento, como você enxergaria isso nas vivências que já teve?

Arnaldo – Acho que todo mundo já deve ter experimentado alguma sensação de afogamento, sufocamento, de que as coisas ao redor vão te apertando até você ficar sem ar, até uma hora em que você fica à beira de deixar de se importar. Seja no trabalho, em relacionamentos com amigos, afetos, família. Só acho que fica menos problemático com uma trilha sonora (risos).

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